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    As alegrias e os perrengues da vida na estrada

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    This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

    Acordar todos os dias com uma vista diferente, trabalhar com a brisa do mar no rosto, ficar sem energia por dias e ter que fazer as necessidades em um pote fazem parte da mesma rotina? Essa é a vida de quem escolheu trocar a casa convencional por uma de quatro rodas. 

    Deixar o trabalho estável para trás e se adaptar em poucos metros quadrados foram apenas o começo dos desafios que a vida nômade trouxe para o casal Vitória Souza e Maurício Vicenzi, que saiu do Rio Grande do Sul para rodar o Brasil. Eles moraram em um motorhome nos últimos dois anos, até perceberem que já não cabiam mais naquele espaço “tanto fisicamente, quanto emocionalmente”, conta Vitória. 

    Menos espaço, mais liberdade

    Viver em um motorhome é escolher deixar o luxo para trás em troca da possibilidade de morar em qualquer lugar do mundo. Os banhos passam a ser rápidos e os armários guardam apenas o essencial, mas a sensação de liberdade faz os sacrifícios valerem a pena. 

    “A gente poderia chegar em um destino e, se a gente não gostasse dele, a gente ligava o carro e ia para o próximo” explica Vitória. “A gente também podia se locomover com mais facilidade, sem precisar de uma organização prévia na logística da viagem”. Ela revela que a maior motivação do casal foi o desejo de estar viajando o tempo todo. 

    Entre o café e a estrada: como é a rotina de quem vive sobre rodas?

    O casal compartilha que teve que se reinventar desde o início da aventura: “O nosso motorhome foi construído por nós dois, então, a gente se reinventou desde o momento em que a gente não tinha nenhuma noção de construção até quando vendíamos artesanato na beira da praia”. Vitória e Maurício publicaram nas redes sociais todo o processo de transformação da van em uma casa.  

    Eles largaram trabalhos fixos e estáveis e passaram a trabalhar com artesanato: “A gente não fazia isso antes de cair na estrada, tivemos que nos adaptar. Fomos viajar com uma reserva financeira, mas a gente sabia que teria que se adaptar em alguma profissão na estrada para que a gente pudesse seguir nesse ritmo de vida”. 

    Eles acrescentam que a rotina variava demais e dependia muito de qual seria o trabalho do dia, fosse vendendo artesanato na beira da praia ou em feirinhas pela cidade. 

    De viajante para viajante

    “Quem tem essa paixão por viajar e gosta de estar instável, porque você não pode gostar de ter uma rotina fixa para viver em um motorhome (risos), com certeza vai se adaptar e gostar”, incentiva a gaúcha. Mas, ela deixa claro que viver na estrada não é para qualquer um. 

    Existem centenas de viajantes compartilhando suas rotinas nas redes sociais, mas não funciona do mesmo jeito para todo mundo. Tem gente que se acostuma rápido, outros, não conseguem se adaptar ao estilo de vida nômade

    Em relação à adaptação, Vitória dá uma dica valiosa: “Eu diria para fazer um teste antes de morar, de fato, em um motorhome. Alugar (um veículo) e passar um período, entender a dinâmica, entender como vai ser a sua rotina, sem se basear em ninguém na internet”. 

    Momentos que ficam para sempre

    Mesmo com os perrengues, o casal afirma não ter nenhum arrependimento. Vitória ainda completa dizendo que foi a experiência mais louca que já viveu até agora, e diz que os dois não descartam a possibilidade de adquirir um novo motorhome no futuro. 

    Deixar as certezas para trás e fazer sua vida caber em três metros quadrados é um enorme ato de coragem. Mas, com certeza, as lembranças dos dias na estrada vão compensar. 

    ______________

    O texto acima foi editado por Anna Goudard

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