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    desastre ambiental ou inclusão social?

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    The opinions expressed in this article are the writer’s own and do not reflect the views of Her Campus.

    This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter.

    Ao se deparar com o termo “Fast Fashion” nas redes sociais ou até mesmo em sites e revistas, algumas pessoas podem se perguntar o significado dessa expressão. Afinal, deve haver um motivo para ela apresentar extrema relevância no mundo da moda – além de também possuir um papel significativo na discussão sobre o meio ambiente. 

    Enquanto isso, milhares de empresas utilizam desse modelo de produção para lucrar cada vez mais rápido e de forma “fácil”, não levando em consideração a qualidade das peças produzidas e a falta de processo criativo por trás da fabricação dos produtos vendidos. 

    Porém, mesmo após analisar todas as problemáticas acerca do assunto, constantemente nos deparamos com o seguinte questionamento: atualmente, o fast fashion se mostra apenas prejudicial à sociedade ou, de alguma maneira, pode ser considerado necessário e um meio de inclusão social? 

    O QUE É FAST FASHION?

    Fast fashion é uma expressão muito utilizada atualmente por profissionais da moda, além de pesquisadores e cientistas que debatem sobre sustentabilidade.

    Em sua essência, fast fashion significa “moda rápida”, e o termo é usado para representar a criação constante de vestuários ao longo do tempo. A produção de peças no modelo é feita em larga escala devido à alta demanda por parte da população. 
    O conceito ganhou fama a partir de um artigo do The New York Times, em 1989, que comentava sobre a inauguração da primeira loja Zara nos Estados Unidos. Na matéria, o jornal comentava sobre a rapidez da chegada de remessas novas e o costume da marca de sempre entregar novas tendências ao público, além de abordar mais assuntos em relação à chegada de um novo “estilo” de consumo.

    POR QUE O MODELO É CONSIDERADO PERIGOSO AO PLANETA?

    De acordo com a Earth.org, uma plataforma digital que disponibiliza dados ambientais sem fins lucrativos, todo o material utilizado na produção dessas vestimentas chega a durar de 7 a 10 anos no meio ambiente antes de ser finalmente desgastado. 

    No mesmo site, de acordo com uma análise feita pelo Business Insider em 2019, a indústria da moda é responsável pela emissão de mais carbono do que voos internacionais e cargas marítimas combinados. Além disso, aproximadamente 85% dos tecidos possuem como destino final aterros sanitários. 

    Entre os três principais causadores das contínuas mudanças climáticas estão o tingimento e acabamento da peça (36%), o preparo dos fios (28%) e a produção das fibras (15%), de acordo com um relatório do Quantis Internacional em 2018. 

    Os três aspectos, em conjunto com a distribuição e preparação de fábrica, também são responsáveis por interferir na saúde humana e na qualidade do ecossistema. Em estatística feita pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima, as expectativas de gases liberados pela indústria têxtil tendem a aumentar 60% até 2030. 

    OS MALEFÍCIOS DO USO DO POLIÉSTER

    O uso do poliéster é muito comum em peças fabricadas por marcas como a Shein, conhecida por ser mais acessível com seus preços abaixo do mercado e por possuir um catálogo de roupas extenso. 

    Apesar de barato, o poliéster é produzido a partir de uma fibra sintética que leva centenas de anos para se degradar; um relatório divulgado em 2017 pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) apresentou que cerca de 35% dos microplásticos depositados no oceano tem origem da lavagem desse tecido. 

    Em resumo, apesar de ser notório e inegável a maneira como o modo de consumo fast fashion perturba o padrão de funcionamento de um ecossistema, também é necessário levar em consideração a realidade de milhões de pessoas ao redor do mundo.

    FAST FASHION VERSUS O MUNDO REAL

    De acordo com o analista de economia da CNN, Fernando Nakagawa, cerca de 19,1% dos brasileiros pertencem à classe social A e B, enquanto aproximadamente 31% representam a classe C, ganhando em média R$3.400 a R$8.100. Em razão do pagamento de contas pessoais, impostos, investimentos e obrigações, a população encontra nas compras um falso entretenimento, apelando para o consumo de marcas em seu alcance financeiro.

    Assim, redes como Zara, Renner, Riachuelo e C&A passam a ser o destino final dos brasileiros. Com peças a partir de valores baixos, as marcas se aproveitam de tendências famosas no âmbito digital para criar a sua coleção e vender nas lojas físicas e virtuais. Com isso, elas levam aos cidadãos uma noção de pertencimento ao mundo fashion, ao contrário do comportamento de grandes nomes no mundo da moda. 

    O TikTok, por exemplo, é um dos principais exemplos de como essa produção costuma se apropriar de conteúdos e vontades do público para gerar lucro: o surgimento de um novo estilo na rede social sempre torna-se alvo de interesse por parte dos consumidores. Devido à vontade de estar por dentro de todas as novidades, a rede social cria a necessidade de marcas como as citadas acima produzirem novas levas de produto. 

    Sendo “responsável” por democratizar o acesso a mercadorias, o fast fashion torna-se, então, a solução mais prática encontrada, até os dias atuais, quando tratamos da inclusão de estilo para diferentes camadas sociais. 

    O artigo acima foi editado por Juliana Sanches.

    Gostou desse tipo de conteúdo? Confira a página inicial da Her Campus Cásper Líbero para mais!



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