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    O Panóptico Digital e a problemática da nova atualização do Instagram

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    This article is written by a student writer from the Her Campus at Casper Libero chapter and does not reflect the views of Her Campus.

    Nas redes sociais, nada é neutro, já que cada nova função lançada não é apenas um detalhe estético ou uma ferramenta a mais para interagir, ela é também uma forma de reorganizar a maneira como nos mostramos e como somos vistos para o mundo. Não é apenas inovação e praticidade, as redes carregam uma lógica mais profunda, em que atualização significa, ao mesmo tempo, encantamento e vigilância. No fundo, o que se apresenta como novidade é também uma forma sutil de direcionar nossos comportamentos dentro da própria plataforma.

    A nova atualização do Instagram, que permite acompanhar a localização de outros usuários, é um exemplo claro de como o digital se aproxima da lógica de vigilância. A dinâmica criada pela plataforma remete ao projeto de prisão – Panóptico – idealizado por Jeremy Bentham no século XVIII, em que a possibilidade de estar sendo observado o tempo todo molda a forma como os indivíduos se comportam.

    O Panóptico

    Configurado como uma prisão ideal, o panóptico de Bentham possuía uma estrutura circular com todas as celas voltadas para a torre de controle. Essa disposição permitia que um único vigilante observasse todos os prisioneiros sem que eles soubessem quando estavam sendo vigiados, o que, segundo Bentham, promoveria autodisciplina entre os detentos. 

    Embora a ideia de Bentham não tenha sido globalmente testada, Michel Foucault, filósofo francês, conseguiu tirar proveito analisando como a vigilância e o controle se tornaram parte da organização da sociedade moderna. Foucault buscou analisar como não se limitou somente à prisões, e sim a todo o ambiente de convívio social, como escolas ou locais de trabalho.

    Esse conceito se estende para o mundo digital, onde o controle e a vigilância vêm cada vez mais se tornando constantes, invisíveis e normalizados. No ambiente digital, isso se manifesta de forma ainda mais potente, que assim como no panóptico, a simples possibilidade de ser observado influencia comportamentos, pois cada curtida, comentário ou deslizar pelo feed está sujeito à observação algorítmica e social, fazendo com que os usuários se adaptem continuamente ao que é considerado aceitável ou valorizado na rede.

    Esse movimento constante das plataformas em criar novas funções pode ser comparado à flânerie, a experiência de passear e se encantar com novidades a cada esquina, só que, no ambiente digital, esse passeio é programado para nunca acabar. A sensação de exploração e novidade, que remete à liberdade do flâneur clássico, se transforma em engajamento contínuo, cuidadosamente arquitetado pela plataforma para manter o usuário atento e conectado o tempo inteiro.

    A privacidade do usuário

    De acordo com o Instagram, a ferramenta foi criada para aproximar amigos utilizando o Instagram Map, lançado em 6 de agosto de 2025, permitindo que os usuários compartilhem sua última localização ativa com amigos selecionados. A função está desativada por padrão, exigindo que o usuário opte por ativá-la, e permite escolher exatamente com quem compartilhar a localização, como seguidores, lista de “Close Friends” ou contatos selecionados. Além disso, há controles parentais para contas de adolescentes sob supervisão, com notificações para os responsáveis caso estes jovens ativem o recurso.

    Segundo a Meta, a novidade também facilita descobrir experiências próximas. Mesmo sem compartilhar sua própria localização, é possível usar o mapa para explorar publicações como reels, stories ou posts feitos por pessoas em locais interessantes. Essa combinação de compartilhamento controlado e descoberta geográfica aparenta ser uma forma de conectar usuários ao que acontece ao seu redor sem a necessidade de mensagens constantes.

    Porém, a atualização traz questões sobre privacidade e segurança pessoal, já que, ao expor a própria rotina em tempo real, os usuários podem se tornar vulneráveis a stalking, assédio ou outras formas de invasão, transformando escolhas aparentemente triviais em situações de risco. A sensação de controle sobre o que se compartilha se dilui diante da possibilidade de exposição constante.

    Ao mesmo tempo, a proximidade geográfica entre usuários reforça a cultura da comparação e da busca por validação social. Saber onde os outros estão e o que estão fazendo cria pressões sutis para performar uma vida interessante, alinhada às expectativas da rede. 

    No fim das contas, o panóptico se mantém vivo ao conceito de prisão, ainda que não seja mais necessariamente física, a vigilância se desloca para o campo mental. A simples percepção de que se pode estar sendo observado faz com que os indivíduos ajustem seus comportamentos de acordo com o que a sociedade espera.  Esse mecanismo invisível de controle gera uma padronização sutil, moldando atitudes, escolhas e interações.

    ———————————————-

    The article above was edited by Malu Alcântara.

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